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Aparelho ortodôntico mal colocado pode levar à perda dos dentes

Aparelho Ortodôntico - Cuidados ao se procurar por tratamento
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Quando decidiu colocar aparelho nos dentes, há dezessete anos, o microempresário Anselmo Pauluk, de 36 anos, não fazia ideia de que o tratamento resultaria em problemas sérios. Escolheu uma clínica popular ao ouvir diversas propagandas no rádio e, no início, não suspeitou de nada. Sem fazer nenhum exame prévio, funcionários – que não tinham o diploma de dentistas, ele descobriria depois – aplicaram os brackets que prometiam um sorriso perfeito em pouco tempo. Não foi o que o ocorreu.

“O tempo passou e não percebi resultado. Muito pelo contrário, o tratamento afetava o meu sono e sentia fortes dores na mandíbula. Até hoje tenho o hábito de mastigar de um lado só por causa dos erros”, conta. Após três anos, Pauluk abandonou a clínica e somente há um ano teve coragem de recomeçar um tratamento – desta vez com um profissional de confiança. “Não confiava em mais ninguém.”

O professor Fábio Rodrigo Dias, de 38 anos, não deixou a situação chegar a um nível extremo. Apenas três meses de um tratamento suspeito o fizeram ficar alerta, principalmente pelo fato de que a cada mês uma pessoa diferente o atendia. “Ninguém me explicava nada, só desconversavam. Eu sentia muitas dores, não era normal”, conta.

As histórias de Anselmo e de Fábio não são incomuns. Segundo o presidente da Associação Paranaense de Ortodontia e Ortopedia Facial (APRO), Mauricio Accorsi, diversas clínicas atraem os pacientes com ofertas interessantes, como a aplicação gratuita do aparelho, mas não são confiáveis. Os responsáveis pelos tratamentos, muitas vezes, seriam auxiliares técnicos e não ortodontistas. “É muito fácil colar as peças nos dentes e trocar as borrachinhas coloridas. O desafio é saber realizar um diagnóstico corretamente e o profissional é responsável por isso. Tem gente que perde os dentes por conta desses erros”, diz. Problemas articulares, dores nas mandíbulas e agravamento da estética são outras consequências.

Atitudes suspeitas

Antes de iniciar um tratamento ortodôntico, é preciso prestar atenção em alguns detalhes. Accorsi dá alguns exemplos:

– Consulta rápida. Fique de olho se a primeira consulta com o ortodontista durar pouco tempo. Segundo Accorsi, o profissional precisa conversar calmamente com o paciente, explicando ponto a ponto como será feito o tratamento. Este é o momento de tirar todas as dúvidas com o especialista, e isso pode levar até uma hora.

– Colocação do aparelho na primeira consulta. Alerta vermelho: para montar o aparelho, o ortodontista precisa realizar um diagnóstico detalhado, que inclui a realização de exames (radiografias, molde, fotografia do rosto e da arcada dentária) e uma conversa extensa com o paciente. Não há como realizar tudo isso em poucos minutos e em seguida partir para a montagem.

– Um profissional diferente a cada mês. O tratamento ortodôntico deve ser acompanhado por um único profissional, pois é ele quem tem conhecimento sobre o histórico do paciente. O papel do auxiliar é exatamente este: ajudar o ortodontista em algumas funções, mas nunca mexer no aparelho.

– Dúvidas não esclarecidas. O paciente tem o direito de perguntar tudo a respeito do tratamento e é dever do especialista explicar todas as dúvidas. Suspeite se o profissional desconversar e não esclarecer o que você quer saber.

Existe data certa para concluir o tratamento?

Os especialistas afirmam que a média é em torno de dois a dois anos e meio, porém esse período pode ser bem maior. Cada caso é único e algumas variáveis podem influenciar no tempo total que o indivíduo vai usar o aparelho. O planejamento do profissional, a dificuldade do caso e até o modelo do aparelho aumentam ou diminuem o tratamento.

 

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